Terça-feira, 14 de Junho de 2005

A MOEDA, por Filipe Vales

moeda.jpg

Conceito de Moeda

O termo moeda surge-nos do termo latino “moneta”, relacionada com o local onde se cunhavam as moedas em Roma: o Templo Juno Moneta. Moeda é uma unidade representativa de valor, aceite como instrumento de troca numa sociedade. A moeda corrente é aquela que circula legalmente num país.
Todo o individuo que possuiu moeda, têm direito a comprar tudo aquilo que lhe convém, logo que as suas posses assim possam suportar e que o vendedor o pretenda vender.

junomoneta.jpg

Origem da Moeda

No início, o sistema comercial não existia na sua propriedade fundamental, a circulação do valor. Cada homem recolhia das ofertas da Natureza o que lhe era necessário.
Contudo, sobretudo após a Revolução Neolítica, um homem que pescasse mais peixe do que lhe era necessário, poderia trocá-lo com outro que tivesse produzido muito trigo. Este tipo de comércio perdurou por muito tempo nas civilizações antigas. No entanto, haviam inconvenientes, pois o valor e a quantidade consideradas de um produto x não serem iguais em duas transacções distintas, isto é, num ano poderiam trocar 2 sacos de milho por uma dúzia de peixes, mas, no ano seguinte, os mesmos indivíduos poderiam trocar 2 sacos de milho por 10 peixes, traduzindo-se na irregularidade do valor das coisas, dependendo este da necessidades e das posses de cada homem.
No entanto, e para por fim a este inconveniente, o homem foi procurando incessantemente um produto ou medida que servisse de referência proporcional entre as mercadorias e a sua quantidade implícita. Nesse seguimento, surgiram algumas mercadorias que, pela sua utilidade e procura, passaram a ocupar essa posição. Aceites por todos, passaram a circular como moedas, servindo para trocar por outros produtos e para lhes avaliar o valor. Estamos a falar, sobretudo, das cabeças de gado, principalmente bovino, pois apresentava vantagens de locomoção própria, reprodução e força motriz para prestação de serviços. Também na Arábia e Norte de África, trocavam os camelos ao invés de gado, pois eram bem mais preciosos nessa região. Mais tarde, começou-se a utilizar o sal, por ser inacessível a quem morasse no continente e por ser muito cobiçado devido a sua utilização na conservação de alimentos. Daí provem o nome latino “salário”, a que, actualmente, ligamos, gramaticalmente, à remuneração, normalmente em dinheiro, devida pelo empregador em face do serviço do empregado.
Devido à possibilidade de entesouramento, divisibilidade, raridade, facilidade de transporte e beleza, o metal se elegeu como principal padrão de valor, passando, em pequenos objectos, a circular como instrumento de troca. Posteriormente, o metal já se apresentava em formas padrão, normalmente pequenos círculos, com pureza e peso determinado, recebendo uma marca numa das suas faces onde indicava o seu valor e a pessoa que a emitiu. Surgiram assim, no séc. VII a.C., as primeiras moedas com as características actuais, sendo cunhado na Grécia, em prata, o Dracma, um dos seus melhores exemplos.
A segunda face da moeda, estando a primeira ocupada com o cunho, deveria reflectir a mentalidade do povo que a emitiu e da sua época, apontando os seus aspectos culturais, tecnológicos, políticos, religiosos e económicos.

A evolução da moeda

Posteriormente, em Alexandria, foi acrescentada a data às moedas, na Grécia, durante o reinado de Alexandre, o Grande, começaram-se a inserir a esfinge de uma personalidade importante no reverso da moeda e, por fim, na Europa, no séc. XVII, inseriu-se um “serrilhado” no rebordo da moeda.
Os primeiros metais a serem utilizados na cunhagem de moeda, foram o ouro, a prata e o cobre, descendo de valor conforme a ordem que apresentei. Estes metais foram escolhidos pela sua raridade, beleza, imunidade à corrosão e valor económico, mas sobretudo por aspectos religiosos, pois os Babilónios relacionavam o ouro com o Sol e a prata com a Lua, juntando-se o cobre pelo seu valor inferior, útil para a cunhagem de moedas de valor mais baixo. Este sistema perdurou até ao início do séc. XX, aquando a descoberta do cuproníquel, que veio substituir essas três ligas, passando a moeda a valer o valor que está representado na sua face e não pelo verdadeiro valor do metal que a compõe. Contudo, não devemos esquecer que ainda são cunhadas moedas de outros metais, tanto tradicionais como inovadores.
Numa altura em que a Europa desenvolvia a moeda, do outro lado do mundo, na China, desenvolvia-se o papel-moeda, inventado pelos chineses possivelmente no ano de 89 d.C.. As matrizes para a impressão eram confeccionadas em tabuleiros de madeira ou de bambu, sobre as quais era aplicada uma pasta especial, feita de polpa vegetal amolecida e batida. A madeira recebia a tinta e os desenhos e textos gravados nesta eram passados para o papel.
Contudo, esta inovação só chegou à Europa aquando a viagem de Marco Polo, numa altura em que, desde a Idade Média, já começara a surgir o hábito de guardar o dinheiro com o ourives, pessoa que negociava ouro e prata, emitindo este uma cédula de garantia da posse desse valor à pessoa que o transportasse. Com o tempo, essas cédulas começaram a circular como forma de pagamento. Assim surge o papel-moeda. Posteriormente, o Governo do país assegurou-se da garantia de autenticidade dessas cédulas, passando a emiti-las. Também a emissão de papel-moeda evoluiu, passando a utilizar-se papéis especiais e técnicas de segurança para assegurar a não-falsificação.
Actualmente os países possuem um banco central responsável pela emissão de moedas e cédulas.
Com a supressão da conversibilidade das cédulas e moedas em metal precioso, o dinheiro cada vez mais se desmaterializa, assumindo formas abstractas. Foi nesta corrente, que surge o cheque. Esse documento, pelo qual se ordena o pagamento de certa quantia ao seu portador ou à pessoa nele citada, visa, primordialmente, à movimentação dos depósitos bancários.
O importante papel que esse meio de pagamento ocupa, hoje, na economia, deve-se às inúmeras vantagens que proporciona, agilizando a movimentação de grandes somas, impedindo o entesouramento do dinheiro em espécie e diminuindo a necessidade de troco, por ser um papel preenchido à mão, com a quantia de que se quer dispor.
O dinheiro, seja em que forma se apresente, não vale por si, mas pelas mercadorias e serviços que pode comprar. É uma espécie de título que dá a seu portador a faculdade de se considerar credor da sociedade e de usufruir, através do poder de compra, de todas as conquistas do homem moderno.

Moedas na actualidade

Actualmente, a moeda é um bem extremamente precioso, visto vivermos num mundo capitalista, onde tudo funciona em torno do dinheiro. O homem utiliza todos os meios à sua volta (recursos) para gerir uma série de condições que levem ao lucro, utilizando uma série de manobras (normalmente publicidade) para fazer valer a imagem daquilo que pretende negociar ou promover.
Uma moeda que se destaca na actualidade, é o Dólar Americano ($), que, pelo país que a emite (Estados Unidos da América), ganhou relevo internacional como referência global para o valor das mercadorias. Outra muito conceituada, é a Libra (₤) pelo seu elevado valor e pelo prestígio que adquiriu pela estabilidade do seu valor e pelo país que a emite (Reino Unido). Por fim, ainda gostaria de citar o Euro (€), que vem a ter importância pelas condições em que surge: trata-se de uma moeda única com o mesmo câmbio internacional adoptada por 12 países independentes e distintos, que assim esperam criar um ambiente económico melhor, que facilite os seus negócios.

dolar.jpg

Moedas e outros

O título de menor moeda do mundo é disputado por duas moedas: uma é a “cabeça de alfinete, cunhada em Colpata (Índia) em 1800, com apenas 65 mg; e a moeda de 6 krissales de ouro, emitida em Java entre os séc. IX e XII, que, apesar de ter o tamanho não maior que um grão de arroz, tem inscrições nas duas faces.
A maior moeda do mundo pode ser avaliada por dois itens: o primeiro, é o peso, cujo o recorde cabe à moeda de 10 dólares suecos emitidos em 1659, pesando 19 kg em cobre puro; o segundo, é o valor intrínseco e nominal, cujo o recorde cabe à moeda de 200 muhur, cunhada pelo rei mongol Shah Goaham, que carregava mais de 2 kg de ouro puro.
Em algumas situações. Como é o caso de guerras ou casos de inflação exagerada, as populações vêm-se obrigadas a trocar a sua moeda, quase inexistente, por outros valores. Existe vários exemplos destes casos.
• Na Alemanha, durante a I Grande Guerra Mundial, passaram a emitir-se peças de porcelana como moeda, devido à falta de metais.
• Na França, no séc. XIII, substituíram-se as moedas por pequenas fichas metálicas onde eram registrados os créditos e débitos de cada pessoa.
• Na Itália, nos anos 70, a moeda foi substituída por caramelos, recebendo o nome de liras caramelo.
• Nos E.U.A., durante a Guerra Civil, selos acondicionados em pequenos discos de papelão, couro ou zinco e recobertos de plástico ou vidro, circularam como moeda.

A moeda não foi genialmente inventada, mas surgiu de uma necessidade humana, e sua evolução reflecte, a cada momento, a vontade do homem de adequar o seu instrumento monetário à realidade de sua economia.
publicado por António Luís Catarino às 00:22
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3 comentários:
De Anónimo a 14 de Junho de 2005 às 12:23
Filipe: falamos na Quinta-feira, se não for antes. Motivos fortes levaram-me a não poder estar convosco, hoje. Em relação às imagens teve de ser, para já, estas. Demorar-me-ia muito tempo a «tratar» as tuas num programa especial de minimização do tamanho das imagens que me mandaste, mas não me rendo facilmente e vou compô-las lá para sexta ou sábado. O que eu achei uma pena seria cortar o teu artigo. Acho-o muito bom e aprendi, lá para a tua idade, que no bom não se mexe. terei todo o gosto em falar contigo, quando quiseres.Prof. Luís Catarino
</a>
(mailto:skamiaken@sapo.pt)
De Anónimo a 14 de Junho de 2005 às 10:34
Olá stôr! Se quer que lhe diga, não gostei muito das imagens que pôs. Não dava para ter posto as minhas??? Por outro lado, vejo que manteve o corpo do texto original... Pensei que fosse cortar algumas coisas por estar muito grande. Ainda bem que gostou. Mas desta vez não fez nenhuma sugestão de site para eu visitar!? Queria ter falado consigo na aula de História de hoje, mas vejo que faltou, porquê??? Depois diga-me. Por outro lado, aproveitei o furo para vir falar consigo sobre o trabalho. Mas depois trocamos mais ideias, ok? Xau...Filipe Vales
</a>
(mailto:amigosamigos@moedasaparte.pt)
De Anónimo a 14 de Junho de 2005 às 00:34
Caro Filipe: parabéns, mais uma vez, pelo teu artigo. É rigoroso, bem estruturado e muito útil para nós. Como sempre, tem um português impecável. Mereceu umas imagens a mais. Espero que tenhas gostado.Prof. Luís Catarino
</a>
(mailto:skamiaken@sapo.pt)

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