Terça-feira, 26 de Abril de 2005

O SELO POSTAL, de Filipe Vales

pennyblack.jpg
No século XIX, os correios só eram utilizados por gentes ricas, devido ao elevado valor pago pelos utentes deste serviço. Na altura, as cartas eram depositadas em marcos ou postos de correios e pagas ao carteiro pelo destinatário, segundo um complicado sistema de taxas que dependiam do peso do envelope e da distância percorrida.

Foi neste cenário que, em 1795, na cidade de Kidderminster, em Inglaterra, nasce Rowland Hill, homem pacato, filho de um professor primário. Após a conclusão do seu ensino, deslocou-se para Londres, onde conseguiu um lugar modesto no Serviço dos Negócios Estrangeiros. Nos seus tempos livres, dedicava-se à análise cuidada do complicado sistema de correios da altura. Posteriormente, apresentou uma proposta muito arrojada para a época: propôs a modernização e uniformização do sistema postal, permitindo a redução dos custos e, consequentemente, o aumento da clientela que ajudaria à manutenção desses preços baixos.

Antes de a apresentar em público, Rowland aprofundou mais a sua ideia, dando-lhe contornos mais claros. Assim, ao denotar que o custo de entrega dependia do seu manuseamento e não da distância, considerou que a entrega de envelopes deveria ter o mesmo preço em toda a Grã-Bretanha, penalizando apenas as encomendas de peso elevado. Isso, argumentava ele com números precisos, não afectaria nada os custos dos Correios. Assim, e após rejeições constantes por parte da direcção dos correios, em 1837, Rowland edita um panfleto que veio a tornar-se célebre onde, publicamente, defendia as suas ideias inovadoras. Porém, os mais cépticos, não poupavam as críticas. Afirmavam que as caixas de correio que seriam instaladas nas casas para a recepção dos sobrescritos seriam vandalizadas, que era injusto pagar o mesmo por uma carta que atravessaria Londres que outra que iria até Edimburgo e ainda alegavam que o sistema seria propenso a fraudes e que teria de envolver um complexo sistema de controlo e que cada envelope teria de ser carimbado com um carimbo especial, que só os Correios poderiam ter, o que obrigaria os utentes a deslocarem-se aos postos de correio para acederem a esse carimbo.

A todos estes problemas, Rowland apresentou argumentos claros em sentido contrário, que os removeram completamente, excepto o último, para o qual teve a ideia mais brilhante da sua vida: pensou, então, que talvez esse último problema pudesse ser obviado com o uso de um pequeno pedacinho de papel de tamanho suficiente para conter uma estampilha e coberto, no verso, com uma cola que, humedecendo-a, colasse o papelinho à carta, sendo então depositado nos marcos já existentes. Estava inventado o selo postal!

Ao primeiro selo, chamou-se, na Inglaterra, de «pennyblack», pela sua tez escura e por custar apenas um penny.
Assim, a 10 de Janeiro de 1840, foi posto à venda o primeiro selo. O sucesso foi retumbante, visto que numa década, o tráfego postal multiplicou-se por cinco e as receitas dos Correios aumentaram, levando a que este processo viesse a ser seguido em todo o mundo.

Também em Portugal começaram a surgir pessoas que se interessavam por este sistema e o pretendiam ver aplicado aqui. Nesse sentido, em 1852, uma comissão presidida por Pinto de Magalhães propôs ao Governo do Duque de Saldanha a adopção do sistema inglês. Nesse mesmo ano, saiu o decreto de D. Maria II com a permissão e foram compradas as máquinas em Inglaterra. Em 1 de Julho de 1853 é lançada a primeira tira de selos de 5, 25, 50 e 100 réis com a efígie da rainha.
publicado por António Luís Catarino às 19:24
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4 comentários:
De Anónimo a 19 de Maio de 2005 às 11:23
Filipe,eu acho,que o teu trabalho esta estupendo.Este trabalho,é uma mais-valia para o blogs.E um trabalho que dá muita informaçao sobre a historia do selo,ou que pelo menos eu desconhecia.É realmente um grande trabalho. João Ferreira
</a>
(mailto:Jão@Ferreira.pt)
De Anónimo a 7 de Maio de 2005 às 20:03
bemm filipe....arranjaste um tema k ñ se costuma ver.....e deves ter tido algum trabalho..por isso vou felicitar.te pelo teu trabalho k esta muito bom....apesar de ñ nos dar.mos muito bemmm....mas tenho de concordar k es muito bomm aluno....!!!!!!!!! bjoxxx...7ºc 4ever...=p=P
m. joao
</a>
(mailto:mariajgoncalves@hotmail.com)
De Anónimo a 4 de Maio de 2005 às 20:24
Como não podia deixar de ser este trabalho do Filipe está excelente.PARABÉNS!7ºC temos que encontrar algum erro neste artigo como o Filipe faz aos profesores,Ao trabalho!patrícia
</a>
(mailto:tixinhacastro@hotmail.com)
De Anónimo a 26 de Abril de 2005 às 19:32
Caríssimo Filipe: então temos um artigo teu aqui no «O Asterisco»! Parabéns pelo artigo muito bem feito ou não fosse teu, claro. Olha, como prémio aqui vai um site com mais informações sobre o famoso pennyblack. É que também eu não resisti :)
http://research.microsoft.com/research/sv/PennyBlack/ Continua.Prof. Luís Catarino
</a>
(mailto:skamiaken@sapo.pt)

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