Sexta-feira, 6 de Maio de 2005

NELSON MANDELA, por Patrícia Castro

mandela.jpg

O facto de tantos sul-africanos se referirem a Nelson Mandela pela a abreviatura afectuosa de Madiba, o seu nome de clã, é um sinal da proximidade que sentem para com ele. Pois, na África do Sul, Madiba ainda é visto como o pai terno e sábio de uma nação transformada, bem como um verdadeiro estadista à escala global.

Nasceu em 1918, filho de um membro da casa real da tribo Thembu. As escolas que frequentou eram moldadas no sistema britânico; mais tarde, Mandela diria que fora ensinado a ser «um inglês negro».No entanto, como sul-africano negro, as suas liberdades eram severamente restringidas.
Jovem advogado, aderiu ao Congresso Nacional Africano, dedicando-se a lutar contra o sistema apartheid, que assentava na divisão e discriminação raciais. Confrontado com a repressão cada vez mais brutal do regime, foi acusado de organizar um braço armado do ANC. Foi preso em 1962, ao fim de vários meses a viver e trabalhar na clandestinidade. Julgado por traição dois anos depois, foi condenado a prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional.
No principio esteve confinado na prisão de segurança máxima de Robben Island, o que poderia facilmente tê-lo levado a ceder ao desespero. Mas Mandela não consentiu que lhe quebrassem o espírito.
«Libertem Nelson Mandela» transformou-se numa palavra de ordem, repetida em todo o Mundo. Foi libertado em 1990, após 27 anos de prisão. Pouco depois, era representante do ANC nas negociações com o Governo que deram origem às primeiras eleições abertas a todos os sul-africanos, nas quais Mandela foi eleito presidente da República da África do Sul de 1994. A capacidade de Mandela para transcender a amargura do fosso racial aberto no seu país ajudou a frágil democracia sul-africana a sarar as feridas provocadas por esse fosso. Agora, sul-africanos de todas as raças orgulham-se com a transição pacifica levada a cabo pelo seu país, de um governo de minoria branca- e atribuem a Nelson Mandela o crédito por essa transição.
Mandela, que tem agora 86 anos, deixou o governo após um único mandato de 5 anos.

Excerto de uma entrevista feita a Nelson Mandela pela revista Selecções Reader`s Digest:
RD- Descreveu o HIV/SIDA como a maior crise de saúde pública de todos os tempos, e parece ter transformado a luta contra a sida numa cruzada pessoal, pois acredita mais nessa área. Isso é justo?
NM- Sim. Uma das coisas com que temos de lidar é o estigma, a marginalização das pessoas que sofrem de SIDA. Em contraponto a esse tipo de comportamento, recordemos que a princesa Diana visitou hospitais com doentes de SIDA, sentou-se nas suas camas, apertou-lhes as mãos e destruiu a ideia de que não se pode estar no quarto com um doente de SIDA. Fez muito bem.
Em 2000, fui à província do Limpopo para a inauguração de uma escola rural. Estava a conversar com populares, que me disseram que numa casa próxima o pai e a mãe tinham morrido, deixando vários filhos, o mais velho dos quais tinha 8 anos. Perguntei: «Podemos visitá-los?» Oh, eles ficaram muito satisfeitos, e enquanto nos dirigíamos à casa em questão, cantavam canções sobre mim. Entrei na casa e fiquei lá durante cerca de 25 minutos. Quando saí, as mesmas pessoas que tinham estado a cantar sobre mim fugiram. A princípio, não percebi que estavam a afastar-se. Acelarei o passo e elas acelararam o delas para se manterem longe de mim. Quando compreendi que estavam a fugir de mim, regressei ao meu carro.
RD- Portanto, cabe aos líderes combater a ignorância que leva a esse estigma.
NM- Absolutamente. Havia uma senhora na região de Ciskei que tinha HIV. Era corajosa: foi a uma reunião a que eu assisti e admitiu que era seropositiva. Abracei-a e disse aos espectadores: «Não isolem as pessoas que sofrem de doenças terminais, porque isso, só por si, é mais mortal do que a doença propriamente dita» quando alguém descobre que já não é visto como um ser humano, perde a vontade de lutar, ao passo que, se for apoiado, sobretudo pelos seus amigos e pelas pessoas em que confia, tem outra capacidade de reacção.
publicado por António Luís Catarino às 19:23
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6 comentários:
De Anónimo a 19 de Maio de 2005 às 10:51
Realmente, Nelson é uma pessoa fantástica, lutando sempre pelos seus ideais. Gostei imenso deste artigo. Parabéns.Filipe Vales
</a>
(mailto:amigosamigos@lutadoresaparte.pt)
De Anónimo a 16 de Maio de 2005 às 18:30
Rute e Licas gostava muito de saber porque é que não comentam o meu trabalho....
jokitax pa todos...
patricia
</a>
(mailto:tixinhacastro@hotmail.com)
De Anónimo a 15 de Maio de 2005 às 18:32
Em primeiro lugar queria agradecer ás minhas colegas terem comentado o meu trabalho.Em segundo queria demonstrar a minha admiração por saber que o professor tinha participado no movimento «Libertem Nelson Mandela».Era mesmo esta a imagem que eu queria...Jokas 7ºC.
P.S-Queria dizer à teresa mota que ela tambem é uma chata.patricia
</a>
(mailto:tixinhacastro@hotmail.com)
De Anónimo a 7 de Maio de 2005 às 11:22
Oh, tixinha castro, o teu artigo está um espectáculo!!! Muito bem, minha menina, está com uma grande qualidade!aproveito para corrigir a nossa colega tété:a tixa não tem jeito para blogs, mas para artigos!!CONTINUA TIXA e abrações para todos!Bia
</a>
(mailto:biafrutuoso@hotmail.com)
De Anónimo a 6 de Maio de 2005 às 20:07
ola*
es uma chata Tixa! hi hi hi

mas para alem disso tens um jeitinho para fazer blogs!teresa Mota
</a>
(mailto:teresamota20@hotmail.com)
De Anónimo a 6 de Maio de 2005 às 19:31
Cara Patrícia: só a mim que é me acontece destas coisas. Coloquei o teu artigo no blogue do 7ºA e estiveste lá umas duas horas! Se não fosse a tua observação no «post» da Joana ainda lá estavas. Desculpa lá... mas já estou aqui há umas horitas! Em relação ao teu trabalho, tenho a dizer que foi uma emoção ver o que uma aluna do 7º ano escreveu sobre Mandela, hoje. É que eu participei activamente na campanha de que falas «Libertem Nelson Mandela» e já o tinha feito quando era estudante. Por isso deves imaginar o que sinto quando leio um artigo destes! Muitos parabéns, Patrícia. E agora...vou para fim-de-semana! Xau a todos!Prof. Luís Catarino
</a>
(mailto:skamiaken@sapo.pt)

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